sexta-feira, 1 de julho de 2011

Droga! Um nome da morte!

 - Tenho que ir ter com a minha mãe porque soube que o meu irmão mais velho recebeu várias facadas na zona abdominal - disse Saulo com uma expressão de enfado.

- O que é que se terá passado para lhe acontecer isso? - questionou Angélica já saturada por Saulo trazer sempre tantos problemas da casa da sua mãe.

Saulo foi visitar o irmão ao hospital. Roque encontrava-se nos cuidados intensivos entre a vida e a morte. A mãe de Saulo pô-lo a par da situação.

Roque tinha aparecido em casa de madrugada a esvair-se em sangue e chegara completamente tonto e a cheirar a álcool.

Souberam através dos médicos do hospital que além de Roque ter chegado alcoolizado a casa, as análises que lhe fizeram no Hospital também confirmaram que ele tinha consumido grande quantidade de anfetaminas.

Quando o médico lhes demonstrou a sua completa admiração pelo facto do rapaz ainda não ter falecido, ficaram admirados.

A mãe de Saulo confidenciou-lhe que já várias vezes tinha encontrado nos bolsos do rapaz seringas e pequenos embrulhos com um pó branco, chegando mesmo a entrar de improviso na casa de banho e ver o rapaz a injectar-se.

- Mãe, temos que fazer alguma coisa - disse Saulo

- Eu sei, já o ameacei vezes sem conta pô-lo fora de casa se ele continuasse na mesma vida e não aceitasse entrar num desses centros de cura dos toxicodependentes, mas apesar de prometer que vai mudar, nunca mais muda de atitude. Além disso, ainda há mais problemas... - respondeu a mãe dos rapazes chorosa.

- Não me diga que o mano Mané também anda a fazer das suas...

- É verdade, também o apanhei com pó no bolso, e ele disse ser heroína, mas prometeu-me que não se injectava, só fumava... - continuou a mãe.

- E a mãe acredita? Cambada de drogados, deixe-os prender se for preciso... - respondeu Saulo irritado.

- Não tens pena dos teus irmãos? Se ao menos eu tivesse dinheiro para os enviar para um centro de cura...

- Ele que se desenrasque. Não foi ele que fez a cama? Agora que se deite nela! Desde que o Roque fez doze anos e começou a cheirar cola que comprava às escondidas na drogaria do Senhor Silva, eu sempre disse à mãe que ele ia dar muito que fazer. Raio do rapaz que sempre teve tendência para essas porcarias. Lembra-se quando ele tinha pouco mais que quinze anos e apareceu em casa quase em coma alcoólico? Eles que se arranjem, em vez de estragarem a vida dos outros - respondeu Saulo muito zangado.

- Então ajudas-me? Preciso de dinheiro... - a mãe voltou à carga.

Chegando a casa, Saulo contou o sucedido a Angélica que estava mais que farta de arcar com os problemas e os vícios daquela família, que com frequência pediam dinheiro para resolver os seus problemas.

- Eu estou farta! Daqui não vai nem mais um tostão! Trata, mas é de os pôr num desses centros de apoio aos drogados, e procura um que aceite os rapazes sem que eles tenham que pagar dinheiro pela estadia - aconselhou Angélica saturada com todas as situações que sempre vinham bater à sua porta e que não tinham nada a ver com ela.

Saulo ainda deu à mãe o fruto do seu trabalho desse mês, e contactou o tal centro para onde enviaram os dois rapazes....

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